sábado, 17 de julho de 2010

NÃO ACOMODAR COM O QUE INCOMODA - O Teatro Mágico [ouçam as músicas]

Muitas pessoas conseguem observar as situações e os prismas de outro modo. Muitas vezes certas condições e imposições sociais podem incomodar.

Vi essa semana uma ação de caridade. O que é caridade?

Alguém pode responder, alias esse é um conceito muito relativo, pois cada carente possui uma carência e esta tem uma característica sua.

Os ricos muitas vezes em suas crises existencialistas possuem uma incessante carência de preenchimento, pois fatalmente, mais cedo ou mais tarde, aqueles que simplesmente não se importam, sendo ricos ou pobres, se descobrem totalmente vazios e precisam a qualquer custo serem preenchidos.

Os pobres, os meninos invisíveis nas ruas, ou mesmo uma família no nordeste que sofre e tem fome.

Qual destes tipos de carência é mais importante?

A quem cabe fazer esse juízo de valores?

Nem a mim e nem a você.

Os contrapontos são os mais diversos. Não venho aqui formular mentes ou implantar chips de ideologia pronta. O que eu quero lhes dizer é que pensem. Simplesmente pensem. A originalidade dos pensamentos bem feitos emite em si própria a verdade.

Então se conclui que o que venho dizer aqui é simplesmente a verdade, não por que é absoluta e irredutível, muito pelo contrario. É a verdade porque foi pensada e está em constate estado mutável, sendo isto que a torna tão cheia de credibilidade. Não é uma opinião. Não estou opinando nada, para que eu chegasse à conclusão de que no mundo existem apenas pessoas e estas são essencialmente somente pessoas que podem sofrer e ansiar por algo e não classes ou estereótipos pré-estabelecidos por sei lá quem, precisei antes de qualquer coisa, me livrar de minhas opiniões, porque no fundo elas não são minhas, alguém me disse que são e eu sem perceber aceitei.

Entenda; o que eu falo é que na verdade não é necessário subjugar necessariamente aquilo que se pensa. As emoções têm de ser expressas é claro, mas é preciso observar de onde vem e fazê-las racionalmente se tornarem um pensamento sólido e assim deixando de ser opinião e passando a ser ideia.

Deixando de ser ideia e passando a ser ideologia.

A ideologia parte de tudo aquilo que realmente se acredita.

“Eu acredito que temos de acreditar naqueles que acreditam no que dizem, pois estes merecem a nossa atenção.”

Acreditar em algo é ter fé naquilo que se acredita. É profundo demais para que seja possível descrever. Não é fácil acreditar, e mesmo assim se não acreditamos em absolutamente nada e nos tornamos céticos apenas prostrados no mundo a passeio e assim a vida não tem sentido.

Antes percorrer o caminho que é errado aos olhos de muitos do que viver sem percorrer caminho algum.

Observando a verdade. E eu não disse que essa seria boa ou ruim, melhor ou pior é apenas a verdade. O que você faria com ela?

Eu não sei o que incentivar ou mesmo ate o que suplicar. Só digo que eu sinto muito, pois estou atada. Grito a plenos pulmões em uma sala cheia de pessoas e ninguém é capaz de me ouvir.

Como diria Martin: “O que me preocupa não é o grito dos maus e sim o silencio dos bons”.

Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu, com dizia o poeta. Perceba que o tempo é curto demais para simplesmente desperdiçá-lo. Nada do que é feito é totalmente seu a não ser pelas satisfações e aprendizado que você carrega consigo. Não seja melhor ou pior, apenas mude. E se sentir vontade de falar o que pensa, pense realmente e não simplesmente reproduza por que se você pensar talvez perceba que não tinha a necessidade de falar aquilo. No mais, basta apenas NÃO SE ACOMODAR COM O QUE INCOMODA!

sábado, 10 de julho de 2010

A inegociável arte de crer.

Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. "
(David Thoreau)


Devemos constantemente mudar nossa visão de mundo. Encontre aquilo que compõe você. Sinta a certeza em tudo aquilo que se propor a fazer e tão logo o que fizer será extraordinário, porém não ignore o que é incerto.
Pessoalmente,
Amo tudo aquilo que é incerto. As dúvidas me surpreendem e esta espera inevitável me condiciona. A minha condição de espera me fez aguardar algo que jamais acontecera e a partir deste dia não fui mais capaz de enxergar aquilo que aconteceu durante todo esse tempo. Essa espera cega me fez rejeitar tudo que se apresentou bem diante dos meus olhos.
Esta noite eu queria poder gritar. Já faz algum tempo que estou aqui e sinto que talvez eu tenha de ser muitas coisas que não quero e por isso a cada instante se torna mais impossível acreditar naquilo que antes era tão certo em mim.
Este é o grande problema; a fé não mais existe.
Todos os dias diversas coisas acontecem, e as pessoas sobrevivem aos seus dias como se não o vivessem. Por outro lado existem pessoas que colocam seus dias em uma categoria imprescindível, pois estes são únicos e nada mais importa se ao acordarem houver ar em seus pulmões. E são estas pessoas que reservam seus dias e por conseqüência suas vidas tornando assim a fé um objeto abstrato paradoxalmente real.
A fé é a simples lacuna entre crer ou não crer. E se mesmo assim sem explicação e por isso sem complexidade ela é capaz de mover pessoas a levantar todos os dias e sorrir, quem sou eu então para eximir-me de crer.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Retorno

Tenho muito a comentar sobre as experiências vividas na viagem que fiz, mas vou começar por um novo post muito pessoal e diria até eu intransferível.

Hoje e particularmente hoje eu estava relembrando algumas coisas que vivi a muito.
E me deparei com circunstâncias que não me foram tão agradáveis. Se bem me lembro em uma das poucas postagens tratei sobre o amor! A concepção que tenho sobre ele é muito clara, não que eu diga que sempre tenha sido assim, eu demorei a entender sua imaculada colocação de que este deve acontecer sem razão ou por menores circunstanciais.

Antes de me deparar com essa ideia eu reparti diversos sentimentos com diversas pessoas, e isto nem tão pouco me torna promiscua. Eu sou simplesmente alguém que se entregou quando estava certa que devia fazer isto. E não relacionem essa entrega a uma expressão sexual eu falo de coisas mais profundas, eu falo de doação, de empatia, de troca.

Muitas vezes essa troca é uma ilusão, pois não é capaz de existir quando apenas uma pessoa esta disposta a se doar sem receber a reciprocidade involuntária.

Olho para trás e tenho um comparativo muito bom da mulher que me tornei, porém existem elementos que ainda se sustentam em mim, algum deles essenciais e eu não abro mão destes. Outros por sua vez são espectros que teimam em me assombrar por mais que eu reze e peça para que eles me deixem de uma vez por todas em paz. Alguém uma vez me disse: “Eu sou apenas uma garota procurando paz de espírito”. Acredito que todos são.

Quando se é completo uma única vez por qualquer sentimento que o preencha já não se pode mais ser vazio. Eu já fui repleta de um sentimento que não sei explicar e é por ele que eu jamais consegui atingir novamente esse patamar.

Senti algo derivado do amor, mas era mais forte que isso porque alem de não possuir motivo algum para amar eu tinha todos os motivos para odiar e mesmo assim não podia fazê-lo. Assim todas as vezes que eu tento preencher novamente essa lacuna sinto o peso das comparações de quando não tinha motivos e tinha ainda assim uma imensa vontade de repartir tudo de mais preciso que levava dentro de mim.

E pela primeira vez, ao invés de dividir aquele pouco que sei e que talvez pudesse ser útil a todos vocês que têm lido minhas últimas mensagens e aos quais eu me correspondo por e-mail, eu peço ajuda!

Como o ser incompleto que sou e me assumo assim, peço a vocês que se tiverem algo a compartilhar que me norteie a encontrar em que ponto eu perdi o controle de discernir o que foi, do que é e do que será.

Não interessa em suma dizer o que aconteceu e porque não aconteceu mais. O que precisam saber é que apenas nesta vez eu fui repleta de um sentimento que não sei explicar.

Obrigada por ouvirem meu momento de confissão.

Allice.