Na verdade busco olhares que possam cessar o medo que encontro nas ruas. Pessoas rotuladas e prostradas diante de nada, o mundo sente o que manda o estereótipo. Sempre assim, constantes sem luz sem brilho. Assim são os seres inumanos que coabitam nossa existência medíocre, que sente medo e nada faz. Assustados, cansados, sem voz, sem vez. Somos apenas movimentos inertes, paradoxos ignorados. Tristes demais para sentir a magoa acuada clamando por atenção. Não há mais tempo para contaminar com consciência um bocado de mentes vazias. E o que se faz do país, do mundo, do planeta. E o que se faz?
A fome bate a porta do estomago dizimando toda sobriedade que há. Se existe a fome, para esse a vontade de comer é maior. E o que se come? Em quem se vota. O que há de se fazer?
Não falem o que pensam. Não pensem. Não existam. Fiquem quietos que a noite já vem e o novo dia desponta e avisa a hora marcada de acordar, e acordar para ao final do dia adormecer novamente. Assim tudo se repete. As pessoas deixam de respirar, pois é caro demais. Estão morrendo e vivendo as vidas dos outros, sonhos que não são seus, deixam de ser o coletivo para ser indivíduo sozinho e sombrio. E o que estão fazendo?
Sendo aquilo que querem ser? Não, talvez. O mais provável é: “Quem sabe?” Eu não sei, e você?
Sabemos de tudo que somos capazes e mesmo assim nada somos capazes de fazer.
A primeira questão é o que fazer, e porque fazer e ainda mais para quem?
O que é preciso para se descobrir esse tão oculto mistério da fé.
Seremos apenas uma passagem que se tornou obsoleta. Existiremos, e pra quê? Pra quem?
E será mesmo que isso importa, será que é isso que deve ser feito?
Será que as respostas chegarão? Talvez se começarmos a assumir o nosso limite humano para fazer as perguntas certas.
E o pior de tudo é entender que por egoísmo jamais fomos capazes de pensar em algo que não fosso sustentar profundamente nossas realizações e nossos sonhos que são apenas projeções do nunca foi e nunca seremos.