sábado, 14 de agosto de 2010

O que nunca foi e o que nunca seremos.

Na verdade busco olhares que possam cessar o medo que encontro nas ruas. Pessoas rotuladas e prostradas diante de nada, o mundo sente o que manda o estereótipo. Sempre assim, constantes sem luz sem brilho. Assim são os seres inumanos que coabitam nossa existência medíocre, que sente medo e nada faz. Assustados, cansados, sem voz, sem vez. Somos apenas movimentos inertes, paradoxos ignorados. Tristes demais para sentir a magoa acuada clamando por atenção. Não há mais tempo para contaminar com consciência um bocado de mentes vazias. E o que se faz do país, do mundo, do planeta. E o que se faz?

A fome bate a porta do estomago dizimando toda sobriedade que há. Se existe a fome, para esse a vontade de comer é maior. E o que se come? Em quem se vota. O que há de se fazer?

Não falem o que pensam. Não pensem. Não existam. Fiquem quietos que a noite já vem e o novo dia desponta e avisa a hora marcada de acordar, e acordar para ao final do dia adormecer novamente. Assim tudo se repete. As pessoas deixam de respirar, pois é caro demais. Estão morrendo e vivendo as vidas dos outros, sonhos que não são seus, deixam de ser o coletivo para ser indivíduo sozinho e sombrio. E o que estão fazendo?

Sendo aquilo que querem ser? Não, talvez. O mais provável é: “Quem sabe?” Eu não sei, e você?

Sabemos de tudo que somos capazes e mesmo assim nada somos capazes de fazer.

A primeira questão é o que fazer, e porque fazer e ainda mais para quem?

O que é preciso para se descobrir esse tão oculto mistério da fé.

Seremos apenas uma passagem que se tornou obsoleta. Existiremos, e pra quê? Pra quem?

E será mesmo que isso importa, será que é isso que deve ser feito?

Será que as respostas chegarão? Talvez se começarmos a assumir o nosso limite humano para fazer as perguntas certas.

E o pior de tudo é entender que por egoísmo jamais fomos capazes de pensar em algo que não fosso sustentar profundamente nossas realizações e nossos sonhos que são apenas projeções do nunca foi e nunca seremos.

sábado, 17 de julho de 2010

NÃO ACOMODAR COM O QUE INCOMODA - O Teatro Mágico [ouçam as músicas]

Muitas pessoas conseguem observar as situações e os prismas de outro modo. Muitas vezes certas condições e imposições sociais podem incomodar.

Vi essa semana uma ação de caridade. O que é caridade?

Alguém pode responder, alias esse é um conceito muito relativo, pois cada carente possui uma carência e esta tem uma característica sua.

Os ricos muitas vezes em suas crises existencialistas possuem uma incessante carência de preenchimento, pois fatalmente, mais cedo ou mais tarde, aqueles que simplesmente não se importam, sendo ricos ou pobres, se descobrem totalmente vazios e precisam a qualquer custo serem preenchidos.

Os pobres, os meninos invisíveis nas ruas, ou mesmo uma família no nordeste que sofre e tem fome.

Qual destes tipos de carência é mais importante?

A quem cabe fazer esse juízo de valores?

Nem a mim e nem a você.

Os contrapontos são os mais diversos. Não venho aqui formular mentes ou implantar chips de ideologia pronta. O que eu quero lhes dizer é que pensem. Simplesmente pensem. A originalidade dos pensamentos bem feitos emite em si própria a verdade.

Então se conclui que o que venho dizer aqui é simplesmente a verdade, não por que é absoluta e irredutível, muito pelo contrario. É a verdade porque foi pensada e está em constate estado mutável, sendo isto que a torna tão cheia de credibilidade. Não é uma opinião. Não estou opinando nada, para que eu chegasse à conclusão de que no mundo existem apenas pessoas e estas são essencialmente somente pessoas que podem sofrer e ansiar por algo e não classes ou estereótipos pré-estabelecidos por sei lá quem, precisei antes de qualquer coisa, me livrar de minhas opiniões, porque no fundo elas não são minhas, alguém me disse que são e eu sem perceber aceitei.

Entenda; o que eu falo é que na verdade não é necessário subjugar necessariamente aquilo que se pensa. As emoções têm de ser expressas é claro, mas é preciso observar de onde vem e fazê-las racionalmente se tornarem um pensamento sólido e assim deixando de ser opinião e passando a ser ideia.

Deixando de ser ideia e passando a ser ideologia.

A ideologia parte de tudo aquilo que realmente se acredita.

“Eu acredito que temos de acreditar naqueles que acreditam no que dizem, pois estes merecem a nossa atenção.”

Acreditar em algo é ter fé naquilo que se acredita. É profundo demais para que seja possível descrever. Não é fácil acreditar, e mesmo assim se não acreditamos em absolutamente nada e nos tornamos céticos apenas prostrados no mundo a passeio e assim a vida não tem sentido.

Antes percorrer o caminho que é errado aos olhos de muitos do que viver sem percorrer caminho algum.

Observando a verdade. E eu não disse que essa seria boa ou ruim, melhor ou pior é apenas a verdade. O que você faria com ela?

Eu não sei o que incentivar ou mesmo ate o que suplicar. Só digo que eu sinto muito, pois estou atada. Grito a plenos pulmões em uma sala cheia de pessoas e ninguém é capaz de me ouvir.

Como diria Martin: “O que me preocupa não é o grito dos maus e sim o silencio dos bons”.

Porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive, já morreu, com dizia o poeta. Perceba que o tempo é curto demais para simplesmente desperdiçá-lo. Nada do que é feito é totalmente seu a não ser pelas satisfações e aprendizado que você carrega consigo. Não seja melhor ou pior, apenas mude. E se sentir vontade de falar o que pensa, pense realmente e não simplesmente reproduza por que se você pensar talvez perceba que não tinha a necessidade de falar aquilo. No mais, basta apenas NÃO SE ACOMODAR COM O QUE INCOMODA!

sábado, 10 de julho de 2010

A inegociável arte de crer.

Fui para os bosques porque pretendia viver deliberadamente, defrontar-me apenas com os fatos essenciais da vida, e ver se podia aprender o que tinha a me ensinar, em vez de descobrir à hora da morte que não tinha vivido. "
(David Thoreau)


Devemos constantemente mudar nossa visão de mundo. Encontre aquilo que compõe você. Sinta a certeza em tudo aquilo que se propor a fazer e tão logo o que fizer será extraordinário, porém não ignore o que é incerto.
Pessoalmente,
Amo tudo aquilo que é incerto. As dúvidas me surpreendem e esta espera inevitável me condiciona. A minha condição de espera me fez aguardar algo que jamais acontecera e a partir deste dia não fui mais capaz de enxergar aquilo que aconteceu durante todo esse tempo. Essa espera cega me fez rejeitar tudo que se apresentou bem diante dos meus olhos.
Esta noite eu queria poder gritar. Já faz algum tempo que estou aqui e sinto que talvez eu tenha de ser muitas coisas que não quero e por isso a cada instante se torna mais impossível acreditar naquilo que antes era tão certo em mim.
Este é o grande problema; a fé não mais existe.
Todos os dias diversas coisas acontecem, e as pessoas sobrevivem aos seus dias como se não o vivessem. Por outro lado existem pessoas que colocam seus dias em uma categoria imprescindível, pois estes são únicos e nada mais importa se ao acordarem houver ar em seus pulmões. E são estas pessoas que reservam seus dias e por conseqüência suas vidas tornando assim a fé um objeto abstrato paradoxalmente real.
A fé é a simples lacuna entre crer ou não crer. E se mesmo assim sem explicação e por isso sem complexidade ela é capaz de mover pessoas a levantar todos os dias e sorrir, quem sou eu então para eximir-me de crer.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Retorno

Tenho muito a comentar sobre as experiências vividas na viagem que fiz, mas vou começar por um novo post muito pessoal e diria até eu intransferível.

Hoje e particularmente hoje eu estava relembrando algumas coisas que vivi a muito.
E me deparei com circunstâncias que não me foram tão agradáveis. Se bem me lembro em uma das poucas postagens tratei sobre o amor! A concepção que tenho sobre ele é muito clara, não que eu diga que sempre tenha sido assim, eu demorei a entender sua imaculada colocação de que este deve acontecer sem razão ou por menores circunstanciais.

Antes de me deparar com essa ideia eu reparti diversos sentimentos com diversas pessoas, e isto nem tão pouco me torna promiscua. Eu sou simplesmente alguém que se entregou quando estava certa que devia fazer isto. E não relacionem essa entrega a uma expressão sexual eu falo de coisas mais profundas, eu falo de doação, de empatia, de troca.

Muitas vezes essa troca é uma ilusão, pois não é capaz de existir quando apenas uma pessoa esta disposta a se doar sem receber a reciprocidade involuntária.

Olho para trás e tenho um comparativo muito bom da mulher que me tornei, porém existem elementos que ainda se sustentam em mim, algum deles essenciais e eu não abro mão destes. Outros por sua vez são espectros que teimam em me assombrar por mais que eu reze e peça para que eles me deixem de uma vez por todas em paz. Alguém uma vez me disse: “Eu sou apenas uma garota procurando paz de espírito”. Acredito que todos são.

Quando se é completo uma única vez por qualquer sentimento que o preencha já não se pode mais ser vazio. Eu já fui repleta de um sentimento que não sei explicar e é por ele que eu jamais consegui atingir novamente esse patamar.

Senti algo derivado do amor, mas era mais forte que isso porque alem de não possuir motivo algum para amar eu tinha todos os motivos para odiar e mesmo assim não podia fazê-lo. Assim todas as vezes que eu tento preencher novamente essa lacuna sinto o peso das comparações de quando não tinha motivos e tinha ainda assim uma imensa vontade de repartir tudo de mais preciso que levava dentro de mim.

E pela primeira vez, ao invés de dividir aquele pouco que sei e que talvez pudesse ser útil a todos vocês que têm lido minhas últimas mensagens e aos quais eu me correspondo por e-mail, eu peço ajuda!

Como o ser incompleto que sou e me assumo assim, peço a vocês que se tiverem algo a compartilhar que me norteie a encontrar em que ponto eu perdi o controle de discernir o que foi, do que é e do que será.

Não interessa em suma dizer o que aconteceu e porque não aconteceu mais. O que precisam saber é que apenas nesta vez eu fui repleta de um sentimento que não sei explicar.

Obrigada por ouvirem meu momento de confissão.

Allice.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Caros Leitores,

É com grande pesar, que me ausento por uns tempos. Farei uma viagem e esta requer certo desligamento.
Espero que por hora as postagens feitas tenham sido construtivas. Aliás, pelos e-mails que recebi creio que foram ao menos a algumas pessoas. Falando nisso adoraria receber mais e-mails com todo e qualquer tipo de crítica.
Espero revê-los em breve,


Allice.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O Dia dos Enamorados.

Tenho ouvido muitas pessoas falarem sobre o fatídico dia dos Namorados. Fico pensando no que realmente se encerra esse compromisso.

Culturalmente fomos cativados a um ideal Romântico que deposita nossas vidas em função de outra pessoa, suplicando incessantemente por socorro, por respaldo, por respostas as quais você mesmo não é capaz de encontrar.

O místico que envolve o amor pode ser descoberto por vários prismas. Não é possível descrevê-lo, pois ele se apresenta de maneira singular e ao mesmo tempo múltipla. Essa multiplicidade se apresenta várias vezes em nossas vidas, pois cada pessoa ou situação desperta em nós uma face puramente verdadeira, tão somente diferente que assume esta personagem a cada limite e cada medida imposta pela intimidade adquirida na convivência.
Ser múltiplo não estabelece nenhuma relação em não ser verdadeiro, é justamente o contrário é ser o mais transparente o possível no discernimento das fronteiras que se pode ultrapassar com cada pessoa.

É nesse discernimento que se constrói o afeto de qualquer natureza, pois não é possível cativar qualquer pessoa a não ser que você a conheça. E conhecê-la não descreve simplesmente marcar datas e nomes que possam ser relevantes e sim saber que ela sabe sorrir com os olhos quando o sol bate, ou até mesmo saber que ela possa enxergar vestidos em nuvens.

Um pequeno príncipe um dia me disse que pessoas grandes só enxergam números. Sejamos pequenos por um instante e saibamos entender as necessidades do outro a partir do momento em que compreendemos nossas próprias.

A construção de suas próprias convicções nos ajuda a apalpar todas as fragilidades do outro que se coloca diante de nós num pedido de socorro. Numa vontade insaciável de ser amado, por alguém que encontre a relatividade desse amor que se modifica as necessidades do mundo.

É por isso que concluo dizendo que o amor é algo que deve agregar e não subtrair.

Pessoas que são capazes de manter o mínimo de importância em suas vidas e que se façam eternizar pelo simples fato de existir merecem atenção.

O amor se representa em momento de tamanha fugacidade que merecem ser eternizados por conta de sua significância, pelo simples fato de tanto construir em ser humano, como se tivesse existido por toda a vida.

Não selem compromissos, não marquem datas e horários, não banalizem um sentimento feito para ser contemplado e apreciado em alguns momentos. Datas, rotinas, regras estragam tudo. O amor foi feito para acontecer sem motivo.

domingo, 30 de maio de 2010

Início

Na verdade para um primeiro post serei muito genérica, amadora. Na verdade eu sou amadora. Amo tudo a minha volta, menos aquilo que deveria.

A questão que têm me acometido ultimamente é a seguinte.
Por quê? Para que? Ou talvez por quem?

Existem momentos em que tudo que fazemos começa a se diluir em críticas e represálias e não somos capazes de compreender a qualidade das competências que nos são apontadas.
Faço tudo àquilo que creio me construir em meus momentos mais escondidos e mesmo assim existem cantos em que estes se observam vazios, e o rumo se perde, as certezas se esvaem e as ideias se esfarelam.

Tudo aquilo que acreditamos passa a ser modificado por projeções sociais que nos condicionam a ser aquilo que querem que sejamos, e não o que realmente nos inspiramos a ser. Retornar e reconstruir nossas certezas é muito difícil, pois o que leva a concepção de uma certeza são milhares de questões que acreditamos ser relevantes e repensá-las leva tempo. Gostaria de pontuar aqui coisas que talvez nos inspirem uma maneira de pensar.

Um ser humano que possui estabilidade profissional, pessoal e acadêmica é feliz.
Encontra em tudo que ama o ideal de felicidade.
A felicidade é algo fácil de encontrar, pois está nos pequenos momentos da vida em que amamos as pessoas e encontramos nelas a nossa razão de viver.
ERRADO.
A felicidade é algo muito relativo, e a abordarei posteriormente. Não é o momento.
O ser humano descrito acima não vive, apenas sobrevive às circunstâncias as quais está relacionado. Vive uma ilusão viciosa, que jamais deixará de consumi-lo enquanto este não for apresentado a verdade, que em sua essência se faz muito relativa também.
O ato de pensar então se torna insensato. Analisar situações e proclamar conclusões pode trazer conseqüências que nem sempre são boas.
E isto incomoda, e este incômodo gera a inércia permanente daquele que prefere e escolhe viver omisso as todas as questões relativistas e existencialistas com as quais convive.