Tenho ouvido muitas pessoas falarem sobre o fatídico dia dos Namorados. Fico pensando no que realmente se encerra esse compromisso.
Culturalmente fomos cativados a um ideal Romântico que deposita nossas vidas em função de outra pessoa, suplicando incessantemente por socorro, por respaldo, por respostas as quais você mesmo não é capaz de encontrar.
O místico que envolve o amor pode ser descoberto por vários prismas. Não é possível descrevê-lo, pois ele se apresenta de maneira singular e ao mesmo tempo múltipla. Essa multiplicidade se apresenta várias vezes em nossas vidas, pois cada pessoa ou situação desperta em nós uma face puramente verdadeira, tão somente diferente que assume esta personagem a cada limite e cada medida imposta pela intimidade adquirida na convivência.
Ser múltiplo não estabelece nenhuma relação em não ser verdadeiro, é justamente o contrário é ser o mais transparente o possível no discernimento das fronteiras que se pode ultrapassar com cada pessoa.
É nesse discernimento que se constrói o afeto de qualquer natureza, pois não é possível cativar qualquer pessoa a não ser que você a conheça. E conhecê-la não descreve simplesmente marcar datas e nomes que possam ser relevantes e sim saber que ela sabe sorrir com os olhos quando o sol bate, ou até mesmo saber que ela possa enxergar vestidos em nuvens.
Um pequeno príncipe um dia me disse que pessoas grandes só enxergam números. Sejamos pequenos por um instante e saibamos entender as necessidades do outro a partir do momento em que compreendemos nossas próprias.
A construção de suas próprias convicções nos ajuda a apalpar todas as fragilidades do outro que se coloca diante de nós num pedido de socorro. Numa vontade insaciável de ser amado, por alguém que encontre a relatividade desse amor que se modifica as necessidades do mundo.
É por isso que concluo dizendo que o amor é algo que deve agregar e não subtrair.
Pessoas que são capazes de manter o mínimo de importância em suas vidas e que se façam eternizar pelo simples fato de existir merecem atenção.
O amor se representa em momento de tamanha fugacidade que merecem ser eternizados por conta de sua significância, pelo simples fato de tanto construir em ser humano, como se tivesse existido por toda a vida.
Não selem compromissos, não marquem datas e horários, não banalizem um sentimento feito para ser contemplado e apreciado em alguns momentos. Datas, rotinas, regras estragam tudo. O amor foi feito para acontecer sem motivo.
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